CLIFOPSI - Clinica de Fonoaudiologia e Psicologia

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terça-feira, 26 de abril de 2011

Sugestão de livros e filmes

Um filme que mostra muito bem como lidamos com nossos pensamentos automáticos distorcidos e suas consequeências é "trair e coçar é só começar", com Adriana Esteves. É uma comédia muito interessante e percebemos os danos causados pelas distorções dos pensamentos que vivenciamos no dia a dia.

Um livro que amo é "As cinco linguagens do amor", de Gary Chapman. Penso que é um livro de cabeceira. Excelente para nos ajudar a melhorar o relacionamento, seja com pai, mãe, irmãos, cônjuge, namorado (a). Nos ajuda a nos entendermos também, o que já é lucro, concordam?
Pessoa do Espelho

Quando conseguir tudo que quer na luta pela vida e o mundo fizer de você rei por um dia,
Procure um espelho, olhe para si mesmo
E ouça o que aquela pessoa tem a dizer.

Porque não será de seu pai, mãe, marido, mulher ou amigos
O julgamento que terá que absolvê-lo.
O veredicto mais importante em sua vida
Será o da pessoa que o olha do espelho.

Alguns podem julgá-lo modelo,
Considerá-lo um ser maravilhoso,
Mas ela dirá que você é um impostor,
Se não puder fitá-la dentro dos olhos.

É a ela que deve agradar, pouco importa os demais
Pois será ela quem ficará ao seu lado até o fim.
E você terá superado os testes mais perigosos e difíceis
Se a pessoa no espelho puder chamá-lo de amigo.

Na estrada da vida, você pode enganar o mundo inteiro,
E receber palmadinhas no ombro ao longo do caminho,
Mas, seu saldo e seu último salário será de dores e lágrimas, se enganou a pessoa que o fita no espelho.

(Autor desconhecido)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Enterrando os “E se...?”


Bebel era uma pessoa muito ansiosa (Aurélio: “sensação de receio e de apreensão, sem causa evidente, e a que se agregam fenômenos somáticos como taquicardia, sudorese, etc”.). Vivia preocupada com tudo, imaginando o que iria acontecer. À medida em que seus pensamentos se avolumavam, ia ficando nervosa, agitada e seu coração se acelerava. Tinha tantos “e se” na cabeça que não conseguia responder a todos eles. “E se alguém se machucasse?”, e “se eu não conseguir dormir à noite?”, “e se a comida fizer mal?”, “E se a dor que sentia  fosse alguma doença fatal, um câncer?”, “e se eu morrer?”.
Desde criança ouvia a expressão: ansiedade. Nem bem sabia o que era  mas parece que todo mundo tinha aquilo. Volta e meia ouvia alguém dizer: “ Fulano é muito ansioso”, “Eu sou muito ansiosa”. Ficava se perguntando o que significava.
Nem imaginava que aquelas palpitações que tinha com freqüência e a sudorese que a assaltava vez por outra poderiam ser sintomas dessa “coisa” tão famosa.
Não comentara  com ninguém e ficava atenta à freqüência e intensidade que aumentavam com o tempo.
Quando adulta, pode fazer a conexão dos sintomas com os diagnósticos de leigos que ouvira.
Resolveu fazer tratamento, já que não conseguia mais controlar as sensações.
Aprendeu que as visualizações que fazia em relação às situações que a preocupavam, gerando histórias absurdas, provocavam aquelas sensações. Era nesses momentos que os “e se” apareciam, piorando as coisas e tornando as histórias ainda mais fantásticas. Ouvira numa entrevista na tv, uma psicóloga falando sobre a perda de um parente. O entrevistador perguntou como seria se ela não tivesse saído de casa e outras coisas e ela respondeu: enterrei os “E se...?”. Ele se surpreendeu com a resposta e ela explicou que havia decido que os “E se...?” deveriam ser enterrados porque ela não teria resposta a eles. Senão ficaria presa e não elaboraria o luto da perda. Que é preciso fazer o enterro para elaborar o luto.
Bebel gostou do que ouviu. Entendeu que poderia aplicar isso em sua vida. Os “E se...?” não passam de suposições e, como tal, não pertencem a nenhum tempo: passado, presente ou futuro. São apenas suposições que dão margem à construção de histórias e, consequentemente, prendem a pessoa à situações que precisariam aprender a lidar.
Bebel passou a perceber que essas expressões ocupavam quase todo o espaço da sua mente. Como não tinha respostas, ficava atordoada, fazendo mais e mais perguntas.
Com essa percepção e a decisão de enterrar as expressões e perguntas, conseguiu diminuir os sintomas. Alem disso, introduziu exercícios de respiração, sempre que se sentia ansiosa. Eles a ajudavam a relaxar, principalmente porque se concentrava na contagem (1 a 4 ao inspirar e 1 a 4 ao expirar, lentamente), imaginando a cor do ar que entrava e saia. Com isso, mudava a atenção dos pensamentos ruminantes para si mesma, para seu corpo.
Com o tempo não precisou mais de medicação, que foi retirada com acompanhamento médico. Conseguia identificar os primeiros sinais de ansiedade e, alem da respiração, focava no momento presente, evitando as visualizações de um suposto futuro. Conseguia diferenciar fazer planos de criar historias baseadas em sensações de medo e pessimismo.
Focando no presente e vendo a vida por um ângulo otimista, passou a perceber o quanto sua vida era boa, quantas coisas já tinha adquirido e que antes não valorizava. Começou a pesar, numa balança imaginária, os acontecimentos bons e os ruins de sua vida e viu que os bons eram em quantidade muito maior do que os ruins. Ficou muito feliz com isso. Sendo assim, valorizando as pequenas e grandes realizações, seguiu sua vida com mais tranqüilidade e paz.

Creuza M Salvaterra