CLIFOPSI - Clinica de Fonoaudiologia e Psicologia

Bem vindos à CLIFOPSI - Clinica de Fonoaudiologia e Psicologia. Buscamos reunir informações e textos na área de Psicologia e Fonoaudiologia, bem como indicar livros, artigos e sites que consideramos interessantes relacionados à nossa área.

domingo, 18 de setembro de 2011

Maneiras de dizer as coisas



       Uma sábia e conhecida anedota árabe diz que, certa feita, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.
       - Que desgraça, senhor! Exclamou o adivinho. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.
       - Mas que insolente - gritou o sultão, enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!
       Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites. Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho.
       Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:
       - Excelso senhor! Grande felicidade vos esta reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.
       A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:
       - Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.
       - Lembra-te meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de dizer...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Benditos gavetões: livro Psi/contos - Creuza M Salvaterra



Paolo era um rapaz muito ansioso. Vivia se preocupando com o futuro, com o que poderia acontecer e achava que nada ia dar certo. Pensava e repensava, na intenção de solucionar um problema antes mesmo dele surgir.
Com isso, vivia no “mundo da lua” pois estava todo o tempo no futuro, estando desconectado do presente.
Dia após dia, lá estava ele, às voltas com seus pensamentos.
As pessoas costumavam achar que era meio maluco, sempre com o semblante fechado, parecendo falar sozinho.
Paolo achava que os dias estavam diminuindo, que não dava tempo para pensar tudo o que precisava e que o tempo gasto no trabalho era um impedimento para a resolução de seus problemas.
Um dia, pensou tanto que ficou esgotado. Seus pais o encontraram no quarto, pois não havia ido trabalhar. Estava com os olhos esbugalhados, falando incessantemente coisas sem nexo.
Preocupados, correram com ele para o hospital.
Ao se recuperar, Paolo ficou preocupado com o rumo que seus pensamentos estavam tomando e resolveu compartilhar com os pais o que estava se passando.
Seus pais  o aconselharam a procurar ajuda.
Paolo ficou aliviado por ter compartilhado seu problema com os pais e ai teve uma idéia. Iria dividir os pensamentos, ou seja, separa-los, compartimenta-los, como se fosse coloca-los em gavetas. Imaginou primeiro a divisão em: passado, presente e futuro. Visualizou três grandes gavetas e etiquetou-as: passado, presente e futuro. Enquanto criava já punha em prática sua idéia.
Depois, deixou sua mente livre e, à medida que os pensamentos vinham, imaginava coloca-los em uma das gavetas.
Gastou um longo tempo nessa tarefa.
Depois, decidiu organizar cada “gaveta”. Optou por começar pelo passado. Visualizou várias divisões e se imaginou etiquetando-as, de acordo com o tema pensado.
Fez isso também com o presente e com o futuro.
Riu. Pensou que, se dissesse isso a alguém, pensaria que ele estava louco.
Apesar de achar graça, sentiu-se bem com os gavetões.
Foi até a agenda e marcou nela um horário para rever cada assunto no dia seguinte.
Ah... que alivio... que sensação gostosa...
A partir daquele dia, Paolo, conseguiu se organizar mentalmente, sempre separando seus pensamentos como se os colocasse em compartimentos e resolvendo os problemas na medida em que surgiam, deixando que o futuro se encarregasse de resolver os que aparecessem.

sábado, 6 de agosto de 2011

A vida é como um rio - livro: Tudo ou nada- Roberto Shinyashiki



Tempos atrás, havia dois povoados em certa região montanhosa do Nepal cujos moradores eram inimigos mortais. O ódio mútuo já durava alguns séculos, e os anciãos aconselhavam os mais jovens a evitar conversas com as pessoas do outro povoado.
            Essa orientação foi transmitida de pai para filho. E, como mandava a tradição, cada um passou a ensinar seu filho a odiar as pessoas do povoado adversário. Mas não era fácil para os pequeninos assimilar essa tradição. Você sabe como são as crianças: por mais que recebam uma ordem, querem sempre testar os limites e experimentar. Além disso, não resistem à curiosidade de conhecer outras crianças.
            Certo dia, um garoto de um dos povoados cruzou o caminho de um menino de outro povoado. Não resistiu e perguntou aonde ele ia.
            - Não vou nem volto, simplesmente deixo que as nuvens me levem – ele respondeu.
            O primeiro garoto ficou surpreso. Fizera uma pergunta muito simples, e a resposta era incompreensível. Então pensou:
            - Meu pai tem razão sobre o pessoal desse povoado. O que o garoto fez foi me humilhar.
            O menino ainda tentou esconder o fato do pai, mas não resistiu e acabou contando:
            - Pai, eu cometi um erro grave. Você me avisou muitas vezes para não falar com o pessoal do outro povoado, mas não resisti e conversei com um menino de lá.
            Ele repetiu para o pai o diálogo que tiveram. O pai ficou revoltado e disse:
            - Você não aprende. Tantas vezes eu lhe avisei e você faz essa bobagem. Nosso povoado foi humilhado. Agora o menino certamente está contando ao pai o que aconteceu e todo mundo está rindo de nós. Precisamos tomar uma atitude para resgatar nossa dignidade. Vou lhe explicar o que você deve fazer: amanhã, quando encontrar esse garoto, vá até ele e faça  a mesma pergunta. Quando ele responder “não vou nem volto, simplesmente deixo que as nuvens me levem”, diga: “Um dia as nuvens se transformarão em chuva e você ficará no vazio”. Entendeu? Então repita o que tem a fazer.
            Pai e filho ficaram ensaiando o diálogo que deveria ocorrer no dia seguinte. Treinaram por várias horas até que chegou o momento da vingança. Quando o garoto viu o menino do povoado vizinho, correu na direção dele e perguntou:
            - Aonde você vai?
            E o outro respondeu:
            - Aonde minhas pernas me levarem.
            Novamente o primeiro garoto ficou surpreso. Não era possível, fora enganado de novo! Quando voltou para casa, o pai lhe perguntou sobre o diálogo. Ao ouvir o que havia acontecido, ficou enfurecido e disse:
            - Eu não avisei? Eles não prestam. Querem sempre nos ridicularizar. De novo você foi derrotado pelo filho daquele sem-vergonha. Agora precisa fazer algo para resgatar nossa honra. Amanhã vai falar com ele e fazer a mesma pergunta. Quando ele responder “Aonde minhas pernas me levarem”, diga: “Você tem de obedecer ao seu coração”. Entendeu? Você não pode falhar. Se perder mais uma vez, seremos humilhados para sempre.
            E novamente eles ensaiaram o diálogo horas a fio até que chegou o grande momento. Quando o garoto viu o menino do povoado vizinho, foi até ele e novamente perguntou:
            - Aonde você vai?
            E  o outro respondeu:
            - Vou ao mercado comprar frutas.

A vida não respeita ensaios. Ela tem um vaivém natural. Apesar de todos os preparativos,
a vida é como um rio. Ela tem o próprio fluxo.

domingo, 31 de julho de 2011

AUTOPSICOGRAFIA - Fernando Pessoa


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

“Viver não dói” (Carlos Drummond de Andrade)

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amore não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A Moça Tecelã - Marina Colasanti



Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos  do algodão  mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins.  Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta.  Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.









segunda-feira, 30 de maio de 2011

ATITUDE SUSPEITA - Luís Fernando VERÌSSIMO




Sempre me intriga a notícia de que alguém foi preso em atitude suspeita. É uma frase cheia de significados. Existiriam atitudes inocentes e atitudes duvidosas diante da vida e das coisas e qualquer um de nós estaria sujeito a, distraidamente, assumir uma atitude que dá cadeia!

- Delegado, prendemos este cidadão em atitude suspeita.
- Ah, um daqueles, é? Como era a sua atitude?
Suspeita.
- Compreendo. Bom trabalho, rapazes. E o que é que ele alega?
- Diz que não estava fazendo nada e protestou contra a prisão.
- Hmm. Suspeitíssimo. Se fosse inocente não teria medo de vir dar explicações.
- Mas eu não tenho o que explicar! Sou inocente!
- É o que todos dizem, meu caro. A sua situação é preta. Temos ordem de limpar a cidade de pessoas em atitudes suspeitas.
- Mas eu estava só esperando o ônibus!
- Ele fingia que estava esperando um ônibus, delegado. Foi o que despertou a nossa suspeita.
- Ah! Aposto que não havia nem uma parada de ônibus por perto. Como é que ele explicou isso?
- Havia uma parada sim, delegado. O que confirmou a nossa suspeita. Ele obviamente escolheu uma parada de ônibus para fingir que esperava o ônibus sem despertar  suspeita.
- E o cara-de-pau ainda se declara inocente! Quer dizer que passava ônibus, passava ônibus e ele ali fingindo que o próximo é que era o dele? A gente vê cada uma...
- Não senhor delegado. No primeiro ônibus que apareceu  ele ia subir, mas nós agarramos ele primeiro.
- Era o meu ônibus, o ônibus que eu pego todos os dias para ir para casa! Sou inocente!
- É a segunda vez que o senhor se declara inocente, o que é muito suspeito. Se é mesmo inocente, por que insistir tanto que é?
- E se eu me declarar culpado, o senhor vai me considerar inocente?
- Claro que não. Nenhum inocente se declara culpado, mas todo culpado se declara inocente. Se o senhor é tão inocente assim, por que estava tentando fugir?
- Fugir, como?
- Fugir no ônibus. Quando foi preso.
- Mas eu não estava tentando fugir. Era o meu ônibus, o que eu tomo sempre!
- Ora, meu amigo. O senhor pensa que alguém aqui é criança? O senhor estava fingindo que esperava um ônibus, em atitude suspeita, quando suspeitou destes dois agentes da lei ao seu lado. Tentou fugir e...
- Foi isso mesmo. Isso mesmo! Tentei fugir deles.
- Ah, uma confissão!
- Porque eles estavam em atitude suspeita, como o delegado acaba de dizer.
- O quê? Pense bem no que o senhor está dizendo. O senhor acusa estes dois agentes da lei de estarem em atitude suspeita?
- Acuso. Estavam fingindo que esperavam um ônibus e na verdade estavam me vigiando. Suspeitei da atitude deles e tentei fugir!
- Delegado...
- Calem-se! A conversa agora é outra. Como é que vocês querem que o público nos respeite se nós também andamos por aí em atitude suspeita? Temos que dar o exemplo. O cidadão pode ir embora. Está solto. Quanto a vocês...
- Delegado, com todo o respeito, achamos que esta atitude, mandando soltar um suspeito que confessou estar em atitude suspeita é um pouco...
- Um pouco? Um pouco?
- Suspeita.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sugestão de livros e filmes

Um filme que mostra muito bem como lidamos com nossos pensamentos automáticos distorcidos e suas consequeências é "trair e coçar é só começar", com Adriana Esteves. É uma comédia muito interessante e percebemos os danos causados pelas distorções dos pensamentos que vivenciamos no dia a dia.

Um livro que amo é "As cinco linguagens do amor", de Gary Chapman. Penso que é um livro de cabeceira. Excelente para nos ajudar a melhorar o relacionamento, seja com pai, mãe, irmãos, cônjuge, namorado (a). Nos ajuda a nos entendermos também, o que já é lucro, concordam?
Pessoa do Espelho

Quando conseguir tudo que quer na luta pela vida e o mundo fizer de você rei por um dia,
Procure um espelho, olhe para si mesmo
E ouça o que aquela pessoa tem a dizer.

Porque não será de seu pai, mãe, marido, mulher ou amigos
O julgamento que terá que absolvê-lo.
O veredicto mais importante em sua vida
Será o da pessoa que o olha do espelho.

Alguns podem julgá-lo modelo,
Considerá-lo um ser maravilhoso,
Mas ela dirá que você é um impostor,
Se não puder fitá-la dentro dos olhos.

É a ela que deve agradar, pouco importa os demais
Pois será ela quem ficará ao seu lado até o fim.
E você terá superado os testes mais perigosos e difíceis
Se a pessoa no espelho puder chamá-lo de amigo.

Na estrada da vida, você pode enganar o mundo inteiro,
E receber palmadinhas no ombro ao longo do caminho,
Mas, seu saldo e seu último salário será de dores e lágrimas, se enganou a pessoa que o fita no espelho.

(Autor desconhecido)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Enterrando os “E se...?”


Bebel era uma pessoa muito ansiosa (Aurélio: “sensação de receio e de apreensão, sem causa evidente, e a que se agregam fenômenos somáticos como taquicardia, sudorese, etc”.). Vivia preocupada com tudo, imaginando o que iria acontecer. À medida em que seus pensamentos se avolumavam, ia ficando nervosa, agitada e seu coração se acelerava. Tinha tantos “e se” na cabeça que não conseguia responder a todos eles. “E se alguém se machucasse?”, e “se eu não conseguir dormir à noite?”, “e se a comida fizer mal?”, “E se a dor que sentia  fosse alguma doença fatal, um câncer?”, “e se eu morrer?”.
Desde criança ouvia a expressão: ansiedade. Nem bem sabia o que era  mas parece que todo mundo tinha aquilo. Volta e meia ouvia alguém dizer: “ Fulano é muito ansioso”, “Eu sou muito ansiosa”. Ficava se perguntando o que significava.
Nem imaginava que aquelas palpitações que tinha com freqüência e a sudorese que a assaltava vez por outra poderiam ser sintomas dessa “coisa” tão famosa.
Não comentara  com ninguém e ficava atenta à freqüência e intensidade que aumentavam com o tempo.
Quando adulta, pode fazer a conexão dos sintomas com os diagnósticos de leigos que ouvira.
Resolveu fazer tratamento, já que não conseguia mais controlar as sensações.
Aprendeu que as visualizações que fazia em relação às situações que a preocupavam, gerando histórias absurdas, provocavam aquelas sensações. Era nesses momentos que os “e se” apareciam, piorando as coisas e tornando as histórias ainda mais fantásticas. Ouvira numa entrevista na tv, uma psicóloga falando sobre a perda de um parente. O entrevistador perguntou como seria se ela não tivesse saído de casa e outras coisas e ela respondeu: enterrei os “E se...?”. Ele se surpreendeu com a resposta e ela explicou que havia decido que os “E se...?” deveriam ser enterrados porque ela não teria resposta a eles. Senão ficaria presa e não elaboraria o luto da perda. Que é preciso fazer o enterro para elaborar o luto.
Bebel gostou do que ouviu. Entendeu que poderia aplicar isso em sua vida. Os “E se...?” não passam de suposições e, como tal, não pertencem a nenhum tempo: passado, presente ou futuro. São apenas suposições que dão margem à construção de histórias e, consequentemente, prendem a pessoa à situações que precisariam aprender a lidar.
Bebel passou a perceber que essas expressões ocupavam quase todo o espaço da sua mente. Como não tinha respostas, ficava atordoada, fazendo mais e mais perguntas.
Com essa percepção e a decisão de enterrar as expressões e perguntas, conseguiu diminuir os sintomas. Alem disso, introduziu exercícios de respiração, sempre que se sentia ansiosa. Eles a ajudavam a relaxar, principalmente porque se concentrava na contagem (1 a 4 ao inspirar e 1 a 4 ao expirar, lentamente), imaginando a cor do ar que entrava e saia. Com isso, mudava a atenção dos pensamentos ruminantes para si mesma, para seu corpo.
Com o tempo não precisou mais de medicação, que foi retirada com acompanhamento médico. Conseguia identificar os primeiros sinais de ansiedade e, alem da respiração, focava no momento presente, evitando as visualizações de um suposto futuro. Conseguia diferenciar fazer planos de criar historias baseadas em sensações de medo e pessimismo.
Focando no presente e vendo a vida por um ângulo otimista, passou a perceber o quanto sua vida era boa, quantas coisas já tinha adquirido e que antes não valorizava. Começou a pesar, numa balança imaginária, os acontecimentos bons e os ruins de sua vida e viu que os bons eram em quantidade muito maior do que os ruins. Ficou muito feliz com isso. Sendo assim, valorizando as pequenas e grandes realizações, seguiu sua vida com mais tranqüilidade e paz.

Creuza M Salvaterra

quarta-feira, 30 de março de 2011

Fonoaudiologia: beneficiários de planos de saúde

A partir junho deste ano, os beneficiários de planos de saúde podem contar com 24 consultas com fonoaudiólogo por ano de contrato e conforme diretrizes de utilização. Antes, os planos eram obrigados a cobrir apenas seis atendimentos anuais.
A nova cobertura obrigatória é válida para todos os planos – individuais e coletivos - contratados a partir de 2 de janeiro de 1999, após a entrada em vigor da Lei nº 9.656/98, que regulamenta o setor de planos de saúde.
A lista completa foi publicada em 12 de janeiro de 2010 na Resolução Normativa nº 211, e reúne em um só documento, os procedimentos médicos, os odontológicos e os eventos em saúde (consultas com profissionais de saúde não médicos). As operadoras de planos de saúde tiveram, portanto, cinco meses para se adaptarem às novas regras.
Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) - http://www.ans.gov.br/

Acupuntura reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO

Acupuntura reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO
Em decisão proferida no dia 16 de novembro de 2010, durante a V
Sessão realizada em Nairóbi, Quênia, o comitê Intergovernamental
da Unesco, órgão da ONU voltado para educação, ciência e
cultura, incluiu a Acupuntura à lista do Patrimônio Cultural Imaterial
da Humanidade.

Um dos critérios para inscrição de qualquer elemento na lista é a

possibilidade de sua contribuição para enriquecimento da
diversidade cultural em escala mundial e também como testemunho
 da criatividade humana. Segundo a UNESCO, o reconhecimento da
Acupuntura poderá contribuir para a sensibilização da importância
desta medicina tradicional para o mundo inteiro.

No Brasil, a interseção de psicologia e acupuntura vem sendo
trabalhada pela Sociedade Brasileira de Psicologia e Acupuntura
(Sobrapa), que integra o Fórum das Entidades Nacionais da
Psicologia Brasileira (Fenpb).
Fonte: site do Conselho Regional de Psicologia MG

Deficiência ou...

José tinha 13 anos. Filho de pedintes. Tinha 3 irmãos, sendo dois irmãos e uma irmã. Eram muito bravos, brigando sempre pelas, mesmo quando pediam. A mãe também era brava. Do pai nada sabemos.
Tinha uma deficiência física. Havia se machucado em uma brincadeira, há muitos anos. Assim como sua família, estava sempre com a expressão fechada. Difícil vê-los sorrir.
Cursava há anos uma turma chamada Classe Especial. Era uma classe para alunos que tinham dificuldade em acompanhar a turma. Deveriam ser trabalhados mais de perto em suas dificuldades para, posteriormente, retornarem à classe do Ensino Regular. Porém, para que isso acontecesse, precisaria passar por uma  avaliação psicopedagógica. O problema é que não havia profissionais para avalia-lo e, por isso, freqüentava aquela turma há tempos.
Tinha vergonha daquela situação e pensava em desistir. Sua sala era geralmente em corredores, na cozinha, onde houvesse espaço. As atividades eram sempre as mesmas: pintura, desenho, recorte. Uma chatice. Tinha capacidade para realizar outras atividades.
Até que um dia a rede municipal contratou um profissional da área psi. Agora teria sua chance.
Feita a avaliação, percebeu-se que José estava desperdiçado, pois tinha potencial para estudar no Ensino Regular, não deveria estar ali. Naquela idade e com os estímulos adequados, poderia estar na 7ª serie.
José foi encaminhado para a 1ª série, visto que precisava seguir o curso “normal”, saindo da Classe Especial para o inicio no Ensino Regular.
Feito isso, José começou a experimentar uma nova situação. Naquela idade e daquele tamanho (era mais alto que os colegas de 1ª série), seria o momento de enfrentar novos problemas: não poderia freqüentar a escolar diurna, pois sua condição não permitia ficar na classe dos pequenos de 6 e 7 anos.
Não sabemos que caminhos José trilhou e ficamos a pensar: quantos Josés  teríamos nesse pais? Crianças que, por ter uma deficiência física  e pais sem condições para defende-los se submetem a situações tão injustas?! Pela falta de estímulos ambientais aliada à falta de um olhar mais atento, talvez, ou de profissionais capacitados, vivam à mercê, esperando talvez um milagre, ou o desânimo falar mais alto e desistir da escola.

Creuza M Salvaterra




terça-feira, 29 de março de 2011

Situação e problema

No livro Você faz a diferença, de Jonh C Maxwell, ed Thomas Nelson Brasil, o autor diferencia situação de problema. Segundo ele, numa situação não há o que resolver. Por exemplo, um casamento é uma situação. Não há nada a ser resolvido. Ele pode gerar problemas mas o é. Uma gravidez e morte seriam outros exemplos de situação. Tanto a gravidez quanto a morte podem gerar vários problemas mas  eles mesmos não são problema. Está claro?
Em que esse conceito faz diferença para nós? Às vezes, nos sentindo tensos, temos a impressão de estarmos carregados de problemas. Nesse momento, é interessante estar avaliando se aquilo que nos causa preocupação tem solução ou não. Tendo solução, ainda que eu não consiga identificá-la, significa que se trata de um problema. Após essa avaliação, é importante também, refletir se eu sou a pessoa que pode e deve buscar essa solução. Se for, ótimo. Se não for, devo permitir ao outro carregar seu fardo e não carregá-lo por ele.
Muitas vezes, pegamos problemas que são para outros resolverem, colocamos "nas costas" e ficamos buscando a solução. Nem sempre conseguimos, porém permanecemos com aquele peso, muitas vezes "morto", a pesar nos ombros. Precisamos aprender a devolver ao outro o que é de seu responsabilidade. Senão, o outro não "cresce" e vivemos uma vida de cansaço, peso e, na maioria das vezes, reclamação constante.

Creuza M Salvaterra